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Idosa de 78 anos se ajoelha para impedir máquinas e policiais em fazenda de Catalão

Uma operação conjunta de máquinas pesadas e policiais armados avançou sobre uma propriedade rural em Catalão, Goiás, antes mesmo da conclusão do acordo de desapropriação, expondo a proprietária de 78 anos a pressão direta e constrangedora. Dona Maria da Paz, viúva desde 1996 e responsável pelo local há cinco décadas, ajoelhou-se diante dos equipamentos para tentar impedir o avanço, enquanto relatos indicam ameaças de prisão e aplicação de multas no local. O episódio, ocorrido durante a gestão de Daniel Vilela, revela a preferência por medidas de força em vez de negociação prévia com a família que ocupa o terreno desde os anos 1970.

Pressão policial e resistência da idosa

A ação combinou o cerco de agentes armados com o deslocamento de máquinas destinadas a retirar material para obras de asfaltamento estadual. A advogada da família, Vanessa Ferreira, denunciou ter sido contida pelo braço ao questionar os procedimentos e recebeu ameaças de prisão, enquanto documentos de multa foram exibidos para pressionar a proprietária. Dona Maria, que administra sozinha a área após a morte do marido, optou por um ato pacífico de resistência, ajoelhando-se no caminho dos equipamentos para proteger o patrimônio familiar construído ao longo de meio século.

Críticas à condução do governo estadual

O episódio levanta questionamentos sobre a pressa do governo Daniel Vilela em concluir obras com possível viés eleitoreiro, optando pelo confronto direto em vez de esgotar vias de diálogo com os moradores. A família, criada no local e afetada pela medida, vê sua história ameaçada sem que o Ministério Público tenha mediado o impasse de forma conclusiva até o momento. Relatos apontam que tentativas anteriores de acordo não avançaram, resultando na mobilização de aparato policial contra uma idosa de 78 anos.

Impacto familiar e falta de diálogo

Os filhos de dona Maria, que cresceram na propriedade, enfrentam agora a perspectiva de perda do vínculo com o local onde construíram suas memórias, agravada pela ausência de consenso prévio com o Estado. A operação, justificada pela necessidade de insumos para o asfaltamento, expõe uma abordagem de mão de ferro que privilegia a execução rápida sobre a proteção de direitos individuais. Até o fechamento desta edição, a família permanece no imóvel, mas o clima de insegurança persiste diante das medidas adotadas.

Não é dinheiro que me faz feliz. Estão tirando a minha história. A gente vive aqui há 50 anos. Meus filhos cresceram aqui. Meu marido morreu em 1996 e eu permaneci aqui cuidando de tudo.

Maria da Paz, proprietária

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