Na madrugada desta segunda-feira, 28 de setembro de 2026, o artista Glauco Gonçalves instalou cadeiras de estrutura metálica com sacos de tecido em quatro pontos de Goiânia para recriar a cena em que Maria Gabriela Ferreira levou o césio-137 à Vigilância Sanitária. A intervenção ocorreu no Centro de Convenções, na Rua 57, na Rua 26-A e no Palácio das Esmeraldas, locais ligados ao acidente de 1987. As cadeiras permanecem nos endereços até serem retiradas e visam contestar o calendário oficial da tragédia, destacando o papel decisivo de Maria Gabriela no início do fim do problema.
Reivindicação por homenagens públicas
O artista posicionou as peças para cobrar reconhecimento ao poder público estadual pela ausência de memorial e homenagens à mulher que retirou o material radioativo do meio da sociedade de forma solitária. A ação também responsabiliza as autoridades pela falta de memória sobre as vítimas do acidente com césio-137. Gonçalves destacou a dificuldade de tratar o tema sem desrespeitar as pessoas envolvidas, vivas ou não.
Posicionamento do artista sobre a data
A instalação marca o dia 28 como momento decisivo para o encerramento da tragédia, conforme visão do criador da obra. O trabalho busca ainda questionar quando a sociedade goianiense prestará as devidas homenagens a Maria Gabriela Ferreira. As cadeiras servem como lembrete visual da responsabilidade coletiva e institucional.
A tragédia criminosa não começa com esses dois pobres catadores que andam pela cidade em busca de um material para reciclagem
Glauco Gonçalves
Eu acho que o dia 28 é quando se começa a acabar com o problema. O dia 28 talvez seja o dia mais decisivo a meu ver.
Glauco Gonçalves
