Delações apontam que R$ 1,5 milhão foram divididos entre as campanhas de 2012 e 2014, sem declaração oficial.
A estrutura de financiamento das campanhas da família Vilela chamou a atenção dos investigadores da força-tarefa da Operação Lava Jato devido à sua continuidade. Os ex-executivos Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis e Alexandre José Lopes Barradas detalharam aos procuradores da República como a relação de proximidade com a liderança goiana se desenvolveu ao longo dos ciclos eleitorais.
Tudo começou nas eleições municipais de 2012. Naquela ocasião, de acordo com as delações, ocorreu um repasse de R$ 500 mil (em valores da época) para a campanha de Maguito à prefeitura de Aparecida de Goiânia, um dos colégios eleitorais mais importantes de Goiás. O sucesso dessa empreitada política pavimentou o caminho para negociações futuras ainda mais ambiciosas.
Em 2014, com o pai já consolidado no cargo de prefeito e gozando de grande prestígio partidário, um novo e mais expressivo pedido foi feito à cúpula da empreiteira baiana: uma injeção de R$ 1 milhão para eleger o filho como deputado federal.
O cronograma dos repasses ilegais:
- 2012 (Eleição Municipal): R$ 500.000,00 solicitados e recebidos via caixa dois.
- 2014 (Eleição Nacional): R$ 1.000.000,00 para garantir a vaga no Congresso Nacional, consolidando a parceria não declarada.
A ausência desses valores nas prestações de contas oficiais entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) configurou a base legal para a abertura dos inquéritos, expondo a engrenagem oculta de sucessão e poder.
