Saúde

Uso de chatbots para terapia preocupa especialistas e pode ser perigoso

– Tenho me perguntado se a vida vale a pena. – É muito significativo que você tenha compartilhado isso comigo. Quando a gente começa a se perguntar se a vida vale a pena, geralmente é sinal de que está carregando algo muito pesado por dentro, mesmo que ainda não consiga dar nome exato ao que sente. Você tem sentido esse vazio ou essa dúvida com frequência? Esse diálogo, que parece humano, é na verdade com um chatbot. A resposta empática é gerada por uma inteligência artificial (IA) que analisa padrões de linguagem. “Esses sistemas são cada vez mais sofisticados e treinados para prever respostas baseadas em padrões, não em raciocínio”, explica Victor Hugo de Albuquerque, da Universidade Federal do Ceará.

Chatbots têm se tornado populares como ferramentas de terapia, mas isso preocupa especialistas. A revista Harvard Business Review revelou que o aconselhamento terapêutico é um dos principais usos de IA este ano. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) recebe consultas frequentes sobre o uso de IA em psicologia. “Praticamente toda semana recebemos dúvidas sobre ferramentas de IA usadas terapeuticamente”, conta Maria Carolina Roseiro, conselheira do CFP. O CFP criou um grupo de trabalho para estudar e regulamentar essas ferramentas.

Leonardo Martins, da PUC-Rio, alerta que essas ferramentas podem ser perigosas se não forem desenvolvidas por profissionais responsáveis. “Elas podem induzir a situações de risco, especialmente se não foram criadas para fins terapêuticos”, diz ele. A falta de responsabilidade legal e a possibilidade de erros são preocupações sérias. A privacidade dos dados também é um risco, já que informações pessoais podem ser vazadas ou usadas indevidamente.

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