Política

O fracasso persistente do Brasil no combate ao analfabetismo funcional

Apesar dos avanços na escolarização, o Brasil continua patinando em índices alarmantes de analfabetismo funcional, com apenas 35% da população acima de 15 anos capaz de lidar com textos complexos e números avançados, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF). Essa estagnação revela o colapso das políticas públicas atuais, que falham em incluir populações vulneráveis como pobres, negros e indígenas, perpetuando um ciclo de exclusão que o estudo classifica como lento e ineficaz. A coordenadora Ana Lima destaca que o trabalho presencial poderia ser um aliado no desenvolvimento de habilidades de leitura e matemática, mas a realidade do desemprego e do trabalho remoto durante crises recentes só agravou o problema, deixando jovens sem oportunidades reais de aprendizado prático.

Pior ainda é o impacto das desigualdades de gênero e raça, que expõem as fissuras profundas no sistema educacional e laboral brasileiro. Entre jovens analfabetos funcionais, 42% das mulheres nem estudam nem trabalham, contra apenas 17% dos homens, atribuído ao peso dos cuidados familiares que as impede de progredir. Jovens negros enfrentam taxas mais altas de analfabetismo funcional (17%) e menor consolidação de habilidades (40%), em comparação com brancos, sinalizando um racismo estrutural que políticas superficiais não conseguem combater. Essa disparidade não só frustra expectativas de uma geração mais escolarizada, mas também condena o mercado de trabalho a uma sofisticação inalcançável para muitos, gerando insatisfação mútua entre empregadores e trabalhadores.

Para reverter esse quadro desolador, urge uma reformulação radical, como a reestruturação da Educação de Jovens e Adultos (EJA) com foco em formação profissionalizante e parcerias com empresas, adaptada ao perfil atual de jovens que conciliam trabalho e estudos. Ana Lima alerta que o avanço atual é insuficiente frente a um mercado exigente em tecnologia, e sem ações concentradas do poder público para combater desigualdades, o Brasil arrisca aprofundar frustrações e perpetuar a marginalização de grupos historicamente excluídos.

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