Política

Não é possível desatar os nós que unem EUA e Brasil no café, diz cooperativa mineira

Os Estados Unidos enfrentarão grandes dificuldades para substituir o café arábica brasileiro, que representa um terço do abastecimento do mercado americano. Por outro lado, o Brasil também encontra obstáculos significativos para encontrar novos destinos de exportação. Esta é a perspectiva de Simão Pedro de Lima, presidente da Expocacer, uma das principais cooperativas de café do Brasil, localizada no Cerrado Mineiro. A cooperativa reúne 745 produtores, dos quais 45% são pequenos, produzindo até 2 mil sacas por safra, e exporta para 35 países, com escritórios nos EUA, Reino Unido, Coreia do Sul e Espanha.

Para Lima, a interdependência entre os dois países no mercado de café deveria ser motivo para um diálogo construtivo. Ele sugere uma abordagem “à maneira mineira: tomando um cafezinho, comendo um pão de queijo e conversando”. Lima defende um “diálogo não ideológico” para avançar nas negociações diplomáticas e, se possível, isentar o café da sobretaxa de 50% imposta pelo presidente Donald Trump. Sem essa isenção, os EUA verão uma compressão nas margens da indústria de torrefação e aumento dos preços no varejo, afetando o consumidor. No Brasil, a consequência será a queda dos prêmios ao produtor e a necessidade urgente de encontrar novos mercados para mais de 8 milhões de sacas.

Lima enfatiza que substituir o café brasileiro não é uma tarefa simples. “A substituição do café brasileiro não se faz da noite para o dia. Seria uma operação complexa — e nem sei se seria possível, porque há características qualitativas que só o café brasileiro tem”, explica. Ele menciona que cafés de outras regiões, como América Central, Colômbia, Indonésia e África, têm suas próprias qualidades e destinos estabelecidos. A tarifa americana resultará em aumento de preços para os consumidores, já que a sobretaxa recairá sobre os importadores, que repassarão o custo.

Para o Brasil, encontrar novos compradores rapidamente também não é viável. “Mesmo a China, que é um mercado potencial grande, ainda está se abrindo ao café. Não vai rapidamente absorver 7 ou 8 milhões de sacas”, afirma Lima. A União Europeia também tem espaço limitado para aumentar o consumo. Ele conclui que é necessário pragmatismo nas negociações para criar exceções para o café, evitando assim impactos negativos em ambos os países.

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