Goiânia perdeu 37,6% da malha cicloviária nos últimos cinco anos, caindo de 120,38 km em 2021 para 75,04 km em 2026. A Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito confirmou que trechos foram suprimidos durante obras de recapeamento, a sinalização desapareceu e projetos como o City Bike e a meta de 200 km de ciclovias não saíram do papel. A situação atual reflete a prioridade dada ao transporte individual motorizado, incluindo o sistema de semáforos inteligentes chamado metronização.
Queda na extensão de ciclovias
A redução ocorreu principalmente pela supressão de trechos nas avenidas T-12, T-6, T-3 e Alameda Coronel Eugênio Jardim. Anúncios feitos em maio e dezembro de 2025 não resultaram em novas implantações até 2026. Coletivos de pessoas com deficiência também apontaram a falta de manutenção como fator que desestimula o uso da bicicleta na capital goiana.
Prioridades da gestão municipal
A gestão do prefeito Sandro Mabel direcionou investimentos para o sistema de semáforos inteligentes em detrimento da infraestrutura cicloviária. Marcos Rothen afirmou: “Goiânia já não era uma cidade amigável para os ciclistas, a redução das existentes significa que esse modal não é uma prioridade para a prefeitura. Goiânia é talvez a única cidade grande no mundo que demonstra uma prioridade máxima para os automóveis”. Ele acrescentou que o termo metronização não tem relação direta com ciclovias e serve apenas para destacar a preferência aos ônibus em cruzamentos.
A redução da malha cicloviária interfere na forma como Goiânia ocupa e distribui o espaço público. Advém de uma perspectiva automóvel cêntrica, que pensa a mobilidade urbana alinhada ao tempo capitalista
Fred Le Blue
Fred Le Blue destacou ainda que o crescimento de SUVs representa uma privatização blindada do espaço público e defendeu o aumento proporcional do IPVA para veículos maiores. Ele ressaltou que a bicicleta é limpa e mitiga o aquecimento global, enquanto o excesso de carros contribui para sedentarismo, depressão e acidentes graves.
