Em São Miguel do Passa Quatro, na região sul de Goiás, a servidora pública Gisele Oliveira, de 42 anos, construiu uma relação de amizade incomum com o boi Nelore Cacique. O animal, adquirido ainda bezerro em leilão pelo marido Adaílton, responde ao chamado da dona e demonstra afeto ao receber carinho no pasto. O vínculo, desenvolvido ao longo dos anos, transformou o boi inicialmente arisco em um companheiro próximo da família.
A construção do vínculo
Gisele aproximou-se do animal aos poucos após Adaílton colocá-lo junto às vacas de leite. Com o tempo, Cacique passou a reconhecer a voz dela e a atender comandos simples, aproximando-se sempre que chamado pelo nome. O processo gradual permitiu que o boi, antes bravo, desenvolvesse confiança e buscasse proximidade com a produtora de leite.
O Adaílton colocou ele junto com as vacas de leite, e aí a gente foi construindo esse vínculo, essa amizade. Com isso, ele foi crescendo. Ele ficou mais velho, e a gente construiu uma amizade muito bonita e sólida. Ele reconhece minha voz, atende meus comandos e quer ficar perto de mim
Gisele Oliveira
O comportamento no pasto
Durante as interações no campo, Cacique levanta a cabeça ao ouvir o chamado, caminha até Gisele e ainda demonstra gentileza ao fazer carinho em uma vaca no caminho. Essas atitudes reforçam o laço afetivo construído desde a fase de bezerro. A relação contrasta com o perfil inicial do animal, comprado como um exemplar arisco e distante.
Hoje, Cacique é visto como parte da família por Gisele, que destaca a disponibilidade constante do boi em sua companhia. A história ilustra como o manejo paciente pode modificar o comportamento de bovinos e criar conexões duradouras no ambiente rural.
