Uma pesquisa conduzida pela Universidade Federal de Goiás identificou diferenças de até 19°C na temperatura da superfície entre bairros de Goiânia, com o maior contraste registrado entre o Jardins do Cerrado e o Residencial Aldeia do Vale. O estudo, realizado pelo Programa de Pós-graduação em Geografia do Instituto de Estudos Socioambientais, analisou imagens termais de satélite e apontou que as áreas mais quentes registram entre 36°C e 43°C, principalmente na região central e em alguns bairros periféricos. Os resultados destacam como as desigualdades socioeconômicas influenciam a capacidade dos moradores de lidar com as ilhas de calor urbanas.
Variações térmicas entre bairros
A análise revelou que bairros como Setor Garavelo e Setor Caravelas também apresentam temperaturas elevadas, enquanto regiões com maior cobertura vegetal e melhor planejamento urbano registram valores mais baixos. A professora Gislaine Cristina Luiz e o professor Diego Tarley Ferreira Nascimento, junto com a pesquisadora Ana Cristina Araújo Foli, ressaltam que essas variações não são aleatórias e refletem o modo como a cidade foi construída ao longo do tempo.
Vulnerabilidade social e ilhas de calor
Os pesquisadores explicam que a vulnerabilidade social determina as condições de enfrentamento ao calor excessivo. Moradores de áreas com menor renda enfrentam maiores dificuldades para mitigar os efeitos das altas temperaturas devido a moradias precárias e menor acesso a serviços públicos. Todos os residentes das regiões afetadas pelas ilhas de calor lidam com a mesma situação, porém as ferramentas disponíveis para lidar com ela variam conforme o nível socioeconômico.
Quando você pensa que a cidade é um espaço construído, ela vai envolver relação de poder e essas relações de poder vão moldar o espaço
Ana Cristina Araújo Foli
Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas que considerem as desigualdades existentes para reduzir os impactos das ondas de calor em Goiânia.
Metodologia e implicações
Todos nas regiões de ilha de calor enfrentam a mesma situação. Não é que quem está no Aldeia do Vale não enfrente essa situação, só que as condições para lidar com esse calor são diferentes, e é aí que entra a vulnerabilidade
Ana Cristina Araújo Foli
O estudo utilizou imagens de satélite para mapear as temperaturas de superfície e cruzou os dados com indicadores de vulnerabilidade social, oferecendo um diagnóstico preciso sobre como o espaço urbano reflete relações de poder e desigualdade.
