Brasil

Descoberto no Ceará mecanismo global de fossilização de tecidos moles em pterossauro

© Arte Kliti Gric
© Arte Kliti Gric

Um novo mecanismo global de fossilização foi identificado em um pterossauro do período Cretáceo, com mais de 100 milhões de anos, encontrado na Formação Romualdo, na Bacia do Araripe, Ceará. O estudo, publicado em 18 de junho de 2026, revela como bactérias oxidantes de enxofre atuaram na preservação rápida de tecidos moles e esteroides por meio de um processo em efeito dominó mediado por microrganismos.

Análises avançadas confirmam preservação excepcional

Pesquisadores do Brasil, Austrália, Alemanha e Estados Unidos, incluindo Alexander Kellner do Museu Nacional/UFRJ, Klitin Grici da Universidade Curtin, Antônio Álamo Feitosa Saraiva da URCA e Renan Bantim do Museu de Plácido Cidade Nuvens, utilizaram tomografia 3D, geoquímica isotópica, microscopia eletrônica e espectrometria de massa para mapear o fenômeno. Esses métodos demonstraram que a mineralização ocorreu de forma acelerada, permitindo a conservação de estruturas que normalmente se degradariam em dias.

Implicações para a compreensão de fósseis raros

A descoberta esclarece o papel dos micróbios na formação de fósseis excepcionais e oferece novas evidências sobre a dieta dos pterossauros, possivelmente baseada em peixes ou lulas. O achado reforça a relevância da Bacia do Araripe como um dos principais sítios fossilíferos do planeta, ampliando o conhecimento sobre processos de preservação em escala global.

A preservação desse pterossauro é extraordinária. Estamos falando de tecidos e moléculas que, em condições normais, desapareceriam em poucos dias. O fato de termos acesso a esse nível de detalhe, mais de 100 milhões de anos depois, mostra como a Bacia do Araripe é um dos sítios fossilíferos mais importantes do planeta.

Alexander Kellner

Este fóssil é uma verdadeira cápsula do tempo — não apenas está lindamente preservado, mas, pela primeira vez, detectamos traços de esteroides em um pterossauro, fornecendo mais evidências de que essas criaturas provavelmente se alimentavam de peixes ou lulas.

Klitin Grici

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