Uma pesquisa realizada em Goiânia entre 1º e 20 de julho de 2026 revela que 68% dos moradores com 16 anos ou mais realizaram atividades extras para complementar ou obter renda nos 12 meses anteriores à entrevista. O índice representa um aumento de 14 pontos percentuais em relação a 2025, quando a proporção era de 54%. O levantamento foi conduzido pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec, com apoio da Fundação Grupo Volkswagen e cofinanciamento da União Europeia, e ouviu 300 pessoas na capital goiana, com margem de erro de seis pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Principais motivos para a busca por renda adicional
O salário ou a renda principal não é suficiente para fechar as contas do mês, o que evidencia precarização e informalidade crescente no mercado de trabalho. Entre os principais motivos apontados pelos entrevistados estão complementar a renda, citado por 62%, pagar dívidas, com 18%, e realizar sonhos, com 11%. Jovens de 16 a 24 anos, pessoas com menor escolaridade e menor renda são os grupos mais impactados pela necessidade de múltiplas atividades.
Visão da coordenadora sobre o cenário atual
A pesquisa integra um estudo mais amplo realizado em dez capitais brasileiras, com um total de 3,5 mil entrevistas. A coordenadora Ermínia Maricato analisou os resultados e destacou o contexto de sobrevivência que impulsiona essas mudanças.
O que estamos vendo é uma informalidade crescente, que não se traduz necessariamente em empreendedorismo, mas em sobrevivência
Ermínia Maricato
Estamos diante de uma situação em que o trabalho formal não garante mais a reprodução da vida. As pessoas precisam se desdobrar em múltiplas atividades para conseguir pagar as contas.
Ermínia Maricato
